Na versão original do livro Escotismo para rapazes, Baden-Powell escreveu: "O escotismo é uma escola de cidadania através da destreza e habilidade em assuntos mateiros". Na versão de 1940, acrescentou: "O escotismo tem sido descrito por mais de um entusiasta, como uma revolução em educação. Não se trata disso. É simplesmente uma sugestão lançada, ao acaso, para um alegre jogo ao ar livre, que tem sido reconhecido por formar uma ajuda prática à educação". Parece que ele tinha razão, pois a simplicidade, o antidogmatismo e o universalismo do Escotismo, garantiram a esse método educacional capacidade de adaptação às mais diversas sociedades e à evolução destas. A intenção nesse espaço é apresentar as características desse método e lançar as sementes para discussão e entendimento de nossos objetivos.

Boa leitura.

Sempre Alerta Para Servir, o Melhor Possível.

 

Goiânia, 16 de julho de 2017.

    Em física, as 3 leis de Newton ajudam a compreender os comportamentos esperados em relação à movimentação de corpos no espaço. Essas mesmas leis se aplicam também ao comportamento dos seres humanos nas interações pessoais e profissionais. Princípio da Inércia ou Primeira Lei de Newton: "Todo corpo permanece em seu estado de repouso, ou de movimento uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças impressas nele."

    Se um corpo não estiver sujeito a nenhuma força, estará em repouso ou descreverá movimento retilíneo e uniforme. A existência de forças, não equilibradas, produz variação da velocidade. Na prática não é possível que um corpo esteja totalmente livre da ação de forças. Essa tendência é denominada Inércia. Quanto maior a massa de um corpo maior a sua inércia.

    Da mesma forma, seres humanos sofrem efeito da inércia física, mas também de inércia de atitude.  Algumas vezes, temos conhecimento e habilidade, mas não tomamos atitudes para gerar as forças corretas para sair da inércia e atingir resultados condizentes com nosso máximo potencial. Atitude de buscar novos conhecimentos, atitude de se posicionar, atitude de mudar e acima de tudo, atitude de tentar ser melhor. E ao tentarmos ser melhores, erramos, exageramos e magoamos. Mas também podemos aprender e nos tornamos melhores.

    A Força ou a Segunda Lei de Newton: "A mudança do movimento é proporcional à força matriz impressa e se faz segundo a linha reta pela qual se imprime essa força." Força, em física, é qualquer ação ou influência que modifica o estado de repouso ou de movimento de um corpo. A força é um vetor, o que significa que tem módulo, direção e sentido. Quando várias forças atuam sobre um corpo, elas se somam vetorialmente, para dar lugar a uma força total ou resultante. Temos a necessidade de sair da inércia quando estamos parados ou quando precisamos corrigir nossa rota. Em física, o atrito estático é sempre maior que o dinâmico, ou seja, é necessário um esforço maior para iniciar um movimento do que para se manter em movimento. Mas podemos também precisar um grande esforço para corrigir uma rota quando necessário.

    Princípio da Ação e Reação ou Terceira Lei de Newton: "A uma ação sempre se opõe uma reação igual, ou seja, as ações de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e se dirigem a partes contrárias." Sempre que dois corpos quaisquer A e B interagem, as forças exercidas são mútuas. Tanto A exerce força em B, como B exerce força em A. Essas forças têm mesma intensidade, mesma direção, mesma natureza e sentidos opostos. As chamadas forças de ação e reação não se equilibram, pois estão aplicadas em corpos diferentes. Exemplo: Para se deslocar, o nadador empurra a água para trás, enquanto a água o empurra para frente.

    Ao decidirmos sair da inercia, realizamos um esforço que gera reações daqueles que estão ao nosso redor. Estar atentos a essas reações é fundamental para entender as correções que precisamos realizar para aumentar as chances de atingir nossos objetivos ou para maximizar nossos esforços.

    Em resumo, é necessário entender que estamos envolvidos em um sistema de forças com resultantes nem sempre no rumo desejado e que aqueles que estão ao nosso redor podem perceber nossas ações de formas inesperadas, necessitando estarmos abertos a correções e ajustes. E o melhor é que sair da inércia nos leva a explorar nosso potencial e atingir grandes resultados.

Ricardo Martins Lemos.

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Goiânia, 04 de setembro de 2016.

     Dia desses um grupo de colegas decidiu fazer uma corrente do bem para ajudar outro colega que é cadeirante. Ele precisa se deslocar por ruas e avenidas para ir trabalhar e enfrenta muitas dificuldades no trajeto. Atitude nobre e louvável nesses tempos bicudos em que as dificuldades que enfrentamos nos levam a deixar de olhar para o próximo. A sugestão do líder dessa corrente do bem é angariar fundos para comprar uma cadeira elétrica para ele, diminuindo o esforço que ele faz para ir até o trabalho. Além disso, pediu a todos que depositassem em uma conta de poupança aberta com esse fim especifico e que ao final da corrente, disponibilizaria extrato dessa conta para todos, mostrando o quanto foi arrecadado e o valor utilizado na aquisição da cadeira. Transparência ao lidar com valores de terceiros é fundamental para criar confiabilidade. Esse projeto levou a inúmeras conversas entre colegas e e-mails distribuídos para vários outros grupos, visando aumentar o alcance e o valor arrecadado. Envolvimento e participação da comunidade conseguem viabilizar sonhos muito além do que seria possível de forma isolada. Nessa mensagem encaminhada é solicitado a todos que não falem do projeto com o colega cadeirante, pois ele por orgulho ou inibição, poderia ficar desconfortável ou até mesmo não aceitar a ajuda. Aqui, chegamos ao dilema, ajudar ou não essa corrente do bem? Temos o direito de decidir o que é bom para outras pessoas? Será que por ter boas intenções, podemos fazer o que achamos correto sem levar em conta os interesses daqueles beneficiados por nossas ações?

     Ao participar de movimentos voluntários, devolvemos para a sociedade um pouco do que recebemos, seja na forma de valores monetários, conhecimentos, habilidades ou capacidade de execução. E os voluntários recebem de volta o sentimento de completude por ter podido ser parte do processo de melhora de outros seres humanos e de nossa sociedade. Nesse processo, não podemos perder de vista o interesse dos beneficiados por nossas ações e o alinhamento de nossos planos com a realidade daqueles que queremos beneficiar. Não é incomum ouvirmos reclamações sobre o esforço dispendido pelos voluntários e a falta de compreensão dos beneficiados. Existe uma parte fundamental do voluntariado, muitas vezes não totalmente compreendida ou exercitada, que é o alinhamento de expectativas entre as várias partes envolvidas. O voluntário precisa saber o que o movimento espera dele. O movimento precisa entender o que o voluntário espera com o seu trabalho. O beneficiado precisa saber o que receberá do movimento. O movimento precisa saber até onde vai seu trabalho. O voluntário precisa saber exatamente como se portar em cada situação e o que poderá entregar com seu trabalho no movimento. Nesse processo, alguns movimentos geram enormes esforços, atingem objetivos que seriam de orgulhar, mas não conseguem gerenciar adequadamente as expectativas, gerando frustação e conflitos.

     O gerenciamento de expectativas de um movimento voluntário é parte fundamental do seu planejamento estratégico e precisa levar em conta as necessidades e anseios dos vários indivíduos envolvidos e da comunidade onde atua. A boa intenção quando prescinde da noção de respeito e empatia pode perder autenticidade.

 

Ricardo Martins Lemos.

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Goiânia, 25 de outubro de 2015.

 

     Com a mudança da civilização humana de caçadora e coletora para comunidades de agricultura e pecuária, surgiu a necessidade de marcar a passagem do tempo para possibilitar melhor organização do trabalho. Na antiga cultura Suméria era costume, com a mão aberta, contar com o dedão, os nós dos outros dedos (base 12 em vez de base 10). Baseado nesse costume, os egípcios dividiram o dia e a noite em 12 horas e observando as constelações para marcar a passagem dessas horas, definiram 36 períodos de 10 dias (ano egípcio de 360 dias), que permitia prever com precisão a cheia anual do rio Nilo e se preparar para o plantio. Isso foi cerca de dois mil anos AC. Com algumas melhorias, esse sistema deu origem ao calendário Gregoriano (em homenagem ao Papa Gregorio XIII), atualmente adotado pela maioria dos países, com 365 dias, 12 meses e 52 semanas de 7 dias.

     Aproxima-se mais um final do ano e chega o momento de planejar nosso próximo ciclo. Para isso, podemos aprender com a experiência acumulada nesses 4000 anos e tentar garantir a colheita na próxima safra. Assim, devemos começar pela avaliação do último ciclo, verificar o que foi feito, quais objetivos conseguimos cumprir, os motivos que nos levaram a não cumprir todos e entender as lições que podemos aprender com nossas ações. O próximo passo é o diagnóstico. Como estamos nesse momento? Em quais competências estamos falhando? Em quais podemos melhorar? Após as etapas anteriores, precisamos definir os objetivos para o próximo ano e finalmente, elaborar o plano para atingir esses objetivos, definindo datas, metas e recursos necessários.

     Todos já ouvimos ou vivemos histórias de planos que falharam ou não foram executados a contento. O que podemos fazer para melhorar as chances de nosso plano funcionar no próximo ano? Primeiro, garantir que todos os envolvidos participem da elaboração desse plano e estejam realmente comprometidos com os objetivos e as ações planejadas. Segundo, avaliar em conjunto com os demais envolvidos a necessidade de priorizar alguns objetivos em detrimento de outros, pois nem sempre a finitude do tempo ou recursos nos permite atingir todos. E antes de começar a executar o plano, precisamos divulgar aos eventuais afetados ações definidas e avaliar se as consequências negativas e positivas serão suportáveis.

     Alguns consideram que planejar dessa forma é trabalhoso e pode ser considerado como uma tarefa burocrática e chata. Para esses, deixo uma frase de Dwight Eisenhower para reflexão:

“Antes da Batalha, o planejamento é tudo. Assim que começa o tiroteio, planos são inúteis.”

 

Ricardo Martins Lemos.

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